quarta-feira, 7 de março de 2012

Sonhei que você sonhava comigo.
Mais tarde, talvez eu até ficasse confuso, sem saber ao certo se fui eu mesmo quem sonhou que você sonhava comigo, ou ao contrário, foi quem sabe você quem sonhou que eu sonhava com você. Não sei o que seria mais provável. Você sabe, nessa história de sonhos — falo o óbvio —, nunca há muita lógica nem coerência. Ou não? Sei que, sem nenhuma dúvida:

Sonhei que você sonhava comigo.
Certo? Não, talvez não esteja nada certo. Também não era isso o que eu queria ou planejava dizer. Pelo menos, não desse jeito embaçado como uma vidraça durante a chuva. Por favor, apanhe aquele pequeno pedaço de feltro que fica sempre ali, ao lado dos discos. Agora limpe devagar a vidraça — quero dizer, o texto. Vá passando esse pedaço de feltro sobre o vidro, até ficar mais claro o que há por trás. Lago, edifício, montanha, outdoor, qualquer coisa. Certamente molhada, porque só quando chove as vidraças embaçam. Será? Não tenho certeza, mas o que quero dizer, disso estou certo, começa assim:

Sonhei que você sonhava comigo.
Parece simples, mas me deixa inquieto. Cá entre nós, é um tanto atrevido supor a mim mesmo capaz de atravessar — mentalmente, dormindo ou acordado — todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os seus sonhos para criar alguma situação onde, no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie de existência. Não, não me atrevo. Então fico ainda mais confuso, porque também não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas outra viagem chamada desejo. Verdade eu queria muito. Estou piorando as coisas, preciso ser mais claro. Começando de novo, quem sabe, começando agora:

Sonhei que você sonhava comigo.
Depois que sonhei que você sonhava comigo, continuei sonhando que você acordava desse sonho de sonhar comigo — e era um sonho bonito, aquele —, está entendendo? Você acordava, eu não. Eu continuava sonhando, mas na continuação do meu sonho você tinha deixado de sonhar comigo. Você estava acordado, tentando adequar a imagem minha do sonho que você tinha acabado de sonhar à outra ou à soma de várias outras, que não sei se posso chamar de real, porque não foram sonhadas. Mas, se foi o contrário, então era eu, e não você, quem tentava essa adequação — nessa continuação de sonho em que ou eu ou você ou nós dois sonhamos um com o outro. Nos víamos? Quase consegui, agora. Preciso simplificar ainda mais, para começar de novo aqui:

Sonhei que você sonhava comigo.
Depois, fiquei aflito. E quase certo de que isso não tinha acontecido. O que aconteceu, sim, é que foi você quem sonhou que eu sonhava com você. Mas não posso garantir nada. Sei que estou parado aqui, agora, pensando todas essas coisas. Como se estivesse — eu, não você — acordando um pouco assustado do bonito que foi ter tido aquele sonho em que você sonhava comigo. Tão breve. Mas tudo é muito longo, eu sei. Estou ficando cansativo? Cansado, também. Está bem, eu paro. Apanhe outra vez aquele pedaço de feltro: desembace, desembaço. Choveu demais, esfriou. Mas deve haver algum jeito exato de contar essa história que começa e não sei se termina ou continua assim:

Sonhei que você sonhava comigo.
Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto.

sexta-feira, 2 de março de 2012


                    Sempre sonhei muito, passado não deixa mentir. 
                          Tudo me mete medo, amor e desapego.
                          Sempre sonhei com vida consciente. 
                          Desde do meu aniversário, 
                          J.Daniels e cachorro quente
                          Bebe ai... modera mar, consciência poética...
                         Creio desabar, honrar amor e medo!!!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012


                                                         O gordinho, emagreceu
                                                              O nerd, ficou rico
                                               O vagabundo, passou no vestibular
                                                   O tímido, calou a boca de todos
                                                  O que chorava tanto, hoje sorrir
                                           E você que julgou tanto, quem se tornou?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Toda vez que passo você não nota, se eu conto uma lorota você nem ri. Me faço fina flor, você vem e desbota, me boto numa fria, não me socorre. Eu cavo um elogio isso nem te ocorre, a indiferença escorre fria a me ferir... Será porque você não me suporta? ou dentro desta porta tem mais coisa aí. 

Entre o bem e o mal a linha é tênue, meu bem. Entre o amor e o ódio a linha é tênue também. Quando o desprezo a gente muito preza, na vera o que despreza é o que se dá valor. Falta descobrir a qual desses dois lados convém, sua tremenda energia para tanto desdém. Ou me odeia descaradamente ou disfarçadamente me tem, amor.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Ah, que se o amor não é mais como antes, meu bem...
deve ser do mundo que gira ou de uma outra mulher a culpa, deve ser do tempo que passa e das rugas distantes do rosto, mas vistas de longe no fundo da alma, do gosto que muda de quando em vez. Calma! espere por mim, não vale a pena sangrar por sangrar, crescer de véspera, fugir diante das palmas, lembrar de rolar um pranto. Enfim... 
não durma antes de sonhar.